sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Capítulo 6 - Amor e café com rum, por favor

Realengo, abril de 2018, 18:30h

Ana chegou na casa dele para tomarem um café e talvez dar uma volta. Ele estava arrumado, com seus óculos e uma camisa da Holanda. Ela o abraçou bem forte e ela sentiu o cheiro do Malbec, enquanto ele sentia o Anni dela:

- Tá cheirosa ... Disse ele, com o seu perfume tão forte quanto o dela.

- Não mais do que você, Orange!

Ana o beijou. Ele perguntou se ela queria café e ela aceitou, mas viu o rum em cima da bancada e pediu:

- Café com rum, Ana Maria? Ele disse

- Sim, tá frio e em alguns países se toma café com rum. Experimenta, vai! Sugeriu.

Ele colocou rum no café, tomou e gostou. Sorriu e brincou com cabelos bagunçados dela. Sentou ao seu lado e disse que queria conversar algo:

- Então Ana, a gente está junto há algum tempo e cada vez mais próximos, encontrando-nos semanalmente e etc.

- É, agora que sou íntima de casa, já dormi aqui, já tomamos banho juntos, apesar de você estar de bermuda ...

- Pois é, eu queria te fazer uma ...

- Eu aceito, mas só se tomarmos café com rum de novo. - Respondeu sem rodeios

- Temos que guardar segredo ...

- Por quê?

- Porque o que ninguém sabe, ninguém estraga.

Eles se beijaram e foram comer, oficialmente como namorados, mas em segredo!

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Capítulo 5 - Selfies

 Quarto, julho de 2021, 22:25h

Ele estava sentado naquela cadeira ao lado da escrivaninha, com sua caneca de "Melhor namorado do mundo" e sua garrafa térmica. Camisa cinza, bermuda preta e descalço, não a encarava sem os óculos pretos.

Ana pegou seu tablet e mostrou uma foto que tirou dormindo ao lado dele no dia seguinte, pra mostrar que estava bem para as amigas. Ele a olhou e riu daquilo, ora enfurecido, ora envergonhado.

- Eu devia estar com muito sono pra não ter acordado com o flash. Respondeu ele surpreso.

- Eu pensei em excluir a foto logo depois, mas ficou romântica, sabe. Você cuidou de mim naquele estado drog, do seu jeito. Fez café, emprestou roupas e eu retribuí com muitos beijos. Confessou.

- É, fiquei me sentindo culpado por um tempo, achando que aproveitei os beijos de alguém que estava drog. Aliás, por que tu tava daquele jeito? Sempre me perguntei isso.

- Remédio com bebida. Problemas gástricos, mas o café e o banho gelado fizeram voltar ao estado normal. O beijo foi meio premeditado. E eu sei que deu umas olhadas no meu corpo.

Ele fez cara de mea culpa e sorriu. Aquele sorriso tímidoa matava, fazia esquecer um pouquinho do porquê estava bolada com ele.

- Aí começamos a nos encontrar e ficar juntos. Disse ele com sua memória fotográfica.

- A gente ficava na praça de Realengo a tarde inteira, lanchava juntos e cada um ia pra sua faculdade. Eu pro Centro do Rio e você ali do lado. Até o dia que decidimos dar um passo adiante, você tomou até um café com rum e prometemos segredo da nossa relação.

- E chegamos até aqui ...

- Pois é, apesar dos pesares ...

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Capítulo 4 - Carnaval

Sábado de Carnaval de 2018, 21h

Lineu comer um hambúrguer na rua e levou seu cão Ruffus pra passear. Carnaval longe dos pontos de coreto é mais perigoso que ser cristão no Iraque. Camisa preta, bermuda florida e chinelos, parecia só um simples folião.

Voltando pra casa, encontrou uma silhueta cambaleante na Rua do Imperador: era Ana Maria, quase desmaiando. Ele correu com seu cão para auxiliá-la, vendo que mal conseguia ficar em pé:

- Ana, vamos pra minha casa. Tu não tá bem, a rua tá praticamente deserta e não sei se tu não conseguiria chegar em casa deste jeito. Falei

-  O que você tá fazendo aqui? Tu não curte Carnaval e eu tô bem pra ir pra casa sim! Dizia uma relutante Ana.

- Tentei ver algo pra comer e não consegui achar nada. Se quiser ir pra sua casa, eu te deixo lá, mas o meu medo é que você passe mal e não tenha ninguém lá. Você está totalmente drog, mal se aguentando em pé.

- Ah, vou assim mesmo.

Ela deu sete passos e caiu feio. Fui com o meu cão ajudá-la.

- É, melhor eu ir pra sua casa, mas o que eu vou vestir?

- Ana, na hora a gente se vira. Me dá a mão, antes que a gente dance na rua.

Chegaram em casa e Ana correu pro banheiro, vomitando-o todo. Lineu e o cão se entreolharam, pensando que ele tinha que limpar tudo aquilo. Ana se sujou com o vômito, parecendo uma recém-nascida. Era necessário um banho, mas como Ana tomaria banho, se estava mal pra até ficar de pé?

Ela ligou o chuveiro, enquanto o evangélico pegava a toalha pra ela. A água gelada a fez dar um pulo assim que bateu no corpo, justamente quando Lineuzinho entrou no banheiro pra entregar a toalha e limpá-lo. Tinha esquecido de falar do macete. Ao fim da limpeza do vômito de Ana Maria, ela põe a cara pra fora do box e o chama:

- Me ajuda a tomar banho. Falava uma Maria totalmente nua.

- Ana, tá maluca? Você tá drog e nua, e eu sou homem. Se tu achar que eu botei as mãos nos seus seios por conotação sexual, eu vou pra cadeia!

- Esquece que eu sou mulher, pelo menos enquanto me ajuda no banho. Vai deixar de lado o chamado que Deus te mandou pra me proteger?

- Tá, eu te ajudo ...

Ele estava lá, passando o sabonete nas costas de Ana e o shampoo, até que ela vira de frente e o puxa pro chuveiro, dando um beijo longo nele.

- Eu acho que você precisa também de um banho, vai ficar resfriado! Disse Ana rindo.

- Vamos acabar com o seu primeiro, Ana, antes que aconteça algo além dos beijos. Respondeu firme.

Ela acabou o banho e Lineu se secou. Na hora de pegar as roupas, ela pegou uma camisa do Rangers, já que ela dispensou o calção. Na hora de deitar, ela deitou no quarto dos pais dele.

Os dois passaram o Carnaval nos encontrando pra tomarem café e lancharem juntos, ganhando cada vez mais intimidade, o que podia fazer daquele jogo virar paixão.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Capítulo 3 - Porta retrato

 Quarto, julho de 2021, 22:15h

Lineu a ouvia sorrindo. Foi ao armário, pegou uma caixa e o porta-retrato que estava lá.

- Você ainda o tem? Disse uma surpresa Ana Maria.

- Uhum! Merecia uma recompensa depois de tanto trabalho! Respondi rindo.

Ana Maria era portadora de óculos de oncinha e usava um hobby preto por cima da camisola de mesma cor. Sentada, olhava seu namorado com uma expressão indecifrável.

- Por que ele não está na nossa cômoda? Perguntou Ana Maria

- Estamos horríveis. Tu parece que veio de uma pesca num mar agitado; eu que vim do Iraque. Respondeu Lineuzinho

- Foram meses de muito contato; A gente foi conversando e tal. Não nos vimos até o Carnaval, quando você me encontrou meio drog.

- Meio, Ana Maria? Se tu não dorme lá em casa, nem sei o que seria da tua vida...

- Se eu recuso, nós nem estaríamos aqui. Lembra do banho daquele dia?

- Se tu fosse andando, tu iria levar uns 4 tombos no caminho. Eu lembro bem do banho ...

domingo, 3 de agosto de 2025

Capítulo 2 - Primeiros contatos

 Realengo, novembro de 2017, 20:00h

Lineu e Ana Maria faziam parte de um grupo de debates teológicos, onde várias vertentes religiosas se reuniam pra debater as visões sobre temas contemporâneos.

Buscando reforçar a amizade entre eles, o pastor Ildefonso Arinos criou a dinâmica “Dois em Meu Nome’, onde colocavam uma dupla de visões distintas pra discipularem um ao outro.

Ana era uma morena de cabelos exóticos e de roupas inadequadas, mas com um belo corpo. Católica do Movimento de Renovação Carismática, tinha no Papa Francisco uma figura paterna.

Lineu era sério, pertencente a ala reformada do grupo, era um homem com pele bronzeada pelo Sol, nariz de cozinha e cabelos com tons de loiro.

Na hora de falar as duplas, Ildefonso delimitou as regras.

- Vocês precisarão conversar por um mês e ir à igreja um do outro uma vez neste período.  Avisou o pastor.

Pouco a pouco as duplas eram cantadas:

- Lineu Duarte e Ana Maria Parreira.

O espanto era geral. Ana, progressista, Lineu conservador. Após as duplas serem separadas, os dois foram se cumprimentar.

- Lineuzinho, posso te chamar assim? Perguntou a católica.

-Pode, vou colocar seu contato de Mendonça. Zoou o protestante.

Conversaram um tanto e começaram a estreitar os laços ali mesmo.


sábado, 2 de agosto de 2025

Capítulo 1 - Precisamos conversar

Realengo, julho de 2021

Lineu e Ana Maria já tiveram algumas brigas, mas não uma crise, principalmente uma daquelas. Falando apenas o básico, sem ter ideia do que se passava na cabeça de cada um. 

Tudo começou com uma foto dele com uma velha amiga. Ana Maria não curtiu e achou que tinha algo a mais. Ele rebateu, falando que há amigos dela querendo o fim do namoro deles pra ficarem com ela e que era apenas uma foto. A discussão gerou precedentes e tem três dias que o sofá virou a cama dele.

Cansado daquela situação, partiu dele a iniciativa de resolver aquilo ali, indo até o quarto pra tentar conversar:

- Posso entrar? Perguntou.

- A casa também é sua. Disse Ana Maria

- A gente pode conversar?

- Não vai fugir do pau, né?

- Ana Maria, somos dois adultos!

- Quer conversar? Então vamos conversar, mas você vai me ouvir.

- Quer um café?

- É bom fazer, porque vai ser uma conversa longa.

Após fazer um bom café, ele sentou na cadeira de leitura com a garrafa térmica e decidiram conversar.

- Quem diria que aquela conversa chegaria até aqui ... Disse ele

- Lembro muito bem deste dia... Dizia uma saudosa Ana Maria 


Capítulo 6 - Amor e café com rum, por favor

Realengo, abril de 2018, 18:30h Ana chegou na casa dele para tomarem um café e talvez dar uma volta. Ele estava arrumado, com seus óculos ...